segunda-feira, 3 de abril de 2023

93º dia

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3 de Abril
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Segunda-feira, 3 de abril de 2023

Há 14 anos, transcrevi uma fábula, sobre o poder dos nossos sonhos, até onde eles nos podem levar, o nosso destino, está escrito há muito dentro de cada um de nós. Muitas vezes, porém, temos tendência a ignorá-lo, levados pela opinião dos que nos rodeiam, pelas críticas que ouvimos, na verdade, podemos simplesmente escolher o nosso próprio caminho, lutar por muito mais do que aquilo que temos… E aprender verdadeiramente a voar.

O voo da gaivota, será ela que voa mais alto?!...


"Na superfície do azul brilhante do céu, tentando a custo manter as asas numa dolorosa curva, Fernão Capelo Gaivota levanta o bico a trinta metros de altura. E voa. Voar é muito importante, tão ou mais importante que viver, que comer, pelo menos para Fernão, uma gaivota que pensa e sente o sabor do infinito. E verdade, que é caro pensar diferentemente do resto do bando, passar dias inteiros só voando, só aprendendo a voar, longe do comum dos mortais, estes que se contentam com o que são, na pobreza das limitações. Para Fernão é diferente, evoluir é necessário, a vida é o desconhecido. 

Afinal uma gaivota que se preza tem de viver o brilho das estrelas, analisar de perto o paraíso, respirar ares mais leves e mais afáveis. 

Viver é conquistar, não limitar o ilimitável. Sempre haverá o que aprender. Sempre.

«Então isto é o paraíso», pensou, e teve de sorrir de si próprio. 

Não era lá muito respeitoso analisar o paraíso, no preciso momento em que se preparava para entrar nele.

Durante muito tempo Fernão esqueceu-se do mundo onde vivia, aquele local onde o Bando vivia com os olhos completamente cerrados em relação ao prazer de voar, utilizando as asas como meros meios para atingir o fim de procurar e lutar pela comida. 

Mas, de vez em quando, e só por um momento, lembrava-se. Lembrou-se numa manhã em que saíra com o instrutor, enquanto as outras gaivotas descansavam na praia, após uma sessão de voos de asa dobrada.

- Onde estão os outros, Henrique? – perguntou, em silêncio... 

- Por que somos tão poucos aqui? Lá do sítio de onde venho...

- ... milhares e milhares de gaivotas. Eu sei. 

Henrique abanou a cabeça. 

- A única resposta que encontro, Fernão, é que tu és um pássaro, num milhão. A maior parte de nós percorreu um longo caminho. Fomos de um mundo para outro que era quase igual ao primeiro, sem nos preocuparmos com o destino, vivendo o momento. Fazes alguma ideia de quantas vidas teremos de viver antes de compreendermos que há coisas mais importantes do que comer, lutar ou disputar o poder no Bando? Mil vidas, Fernão, dez mil vidas! E, depois, mais cem vidas até começarmos a aprender que a perfeição existe, e outras cem para constatar que o nosso objectivo na vida é conseguir a perfeição e pô-la em prática. As mesmas regras se aplicam, agora, a nós: escolhemos o nosso mundo através do que aprendemos neste. Se não aprendermos nada, então o próximo mundo será igual a este, com as mesmas limitações e obstáculos a vencer.

- Chiang, este mundo não é o paraíso, pois não?

O Mais Velho sorriu, ao luar.

- Bem, mas que acontece depois? Para onde vamos? O paraíso não existe?

- Não, Fernão, o paraíso não existe. O paraíso não é um lugar, nem um tempo. O paraíso é ser-se perfeito.

- Voas com muita velocidade, não voas? 

- Eu... eu gosto da velocidade - respondeu Fernão, surpreendido mas orgulhoso por o Mais Velho ter reparado. 

- Vais começar a aproximar-te do paraíso, Fernão, no momento em que alcançares a velocidade perfeita. E isso não é voar a mil e quinhentos quilómetros à hora, nem a um milhão e quinhentos mil, nem voar à velocidade da luz. É que nenhum número é um limite e a perfeição não tem limites. A velocidade perfeita, meu filho, é estar ali. 

Sem avisar, Chiang evaporou-se e apareceu junto à água, a uma distância de quinze metros, por um breve instante. Depois, voltou a desaparecer e pairou, por uma fracção de segundos ao lado de Fernão.

- É engraçado - disse. 

Fernão ficou atordoado. Esqueceu-se de fazer perguntas acerca do paraíso.

- Como se faz isso? Qual é a sensação? Até onde se pode ir? 

- Desde que o desejes, podes ir a qualquer lugar, em qualquer momento – disse-lhe o Mais Velho. 

- Fui a todos os lugares sempre que quis. 

- Olhou o mar, pensativo. 

- É estranho... As gaivotas que desprezam a perfeição por amor ao movimento não chegam a parte alguma, lentamente. Aqueles que trocam o prazer de voar pela perfeição, vão a qualquer parte, instantaneamente. Lembra-te, Fernão, o paraíso não é um lugar nem um tempo, porque lugar e tempo não significam nada. Tu tens a liberdade de ser tu próprio, o teu verdadeiro eu, Aqui e Agora; nada se pode interpor no teu caminho. Essa é a Lei da Grande Gaivota, a Lei que É.

- Queres dizer que posso voar?

- Quero dizer que és livre! O truque consiste em tentar ultrapassar as nossas limitações, com calma e paciência...Todo o vosso corpo, desde a ponta de uma asa até à ponta de outra asa,(costumava dizer Fernão), não é mais do que o vosso próprio pensamento, uma forma que podem ver. Quebrem as correntes do pensamento e conseguirão quebrar as correntes do corpo."

(“Fernão Capelo Gaivota” – Richard Bach)


Vamos sempre acreditar,
Vamos sempre lutar!
Não suportamos a falta de ar!
Queremos voar!
Boa noite!


Escrito Reescrito e Transcrito por Sandra Poim em 3/04/2023 às 22:04
publicado por inspiração de pesquisa efectuada em: https://irnica.blogspot.com/2009/04/o-voo-da-gaivota-sera-ela-que-voa-mais.html
Todos os direitos autorais reservados
#365diaspoim #sonhovoar 

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